ECG 02

Este ECG foi realizado em um serviço de emergência – AMA da cidade de São Paulo e nos foi transmitido para a Central do TeleCardio – UNIFESP.

Aguardamos os comentários de todos !

Em breve será dado o laudo final e os comentários acerca do exame com o Dr. Eraldo Moraes

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LAUDO E DISCUSSÃO

Dr. Eraldo Moraes

JPS, 85 anos, masculino, atendido em unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) com queixa de dor torácica. Diante do achado eletrocardiográfico, o paciente foi encaminhado ao PS, onde recebeu medidas para síndrome coronariana aguda e permaneceu em ritmo sinusal durante a internação.

Os achados interessantes nesse ECG são:

- Ondas P com SÂP +30-90º, ciclo PP 600ms ou 100bpm.

- Complexos QRS com morfologia de BRD, eixo superior, ciclo RR de 2219ms ou 27bpm.

- Ausência de enlace AV, ou seja, dissociação atrio-ventricular.

- Reversão para ritmo sinusal com complexos QRS estreitos no final do D2 longo.

Discussão:

O bloqueio atrio-ventricular (BAV) de terceiro grau ou total é a ausência de condução do impulso elétrico do átrios para os ventrículos através do nó AV. Isso ocorre porque, por algum motivo, todos os impulsos provenientes dos átrios não são conduzidos para os ventrículos. Isso faz com que células do sistema de condução, distais ao sítio de bloqueio, assumam um ritmo de escape independente do ciclo atrial. O ritmo de escape pode ser juncional (QRS estreito, nível de bloqueio mais alto, podendo ser “pré-hissiano”) ou ventricular (QRS largo e aberrante, nível de bloqueio provavelmente mais baixo, “intra ou pós-hissiano”). Se o bloqueio for pré-hissiano, a FC pode aumentar durante exercício ou sob efeito de droga vagolítica (atropina). No entanto, se for mais baixo, não sofrerá alteração significante.

As causas mais comuns de BAVT permanente são a fibrose idiopática e degenerativa do sistema de condução ou a isquemia miocárdica, atingindo a perfusão do sistema de condução AV (irrigado em sua maior parte pela artéria coronária direita). Outras causas são doença de chagas, amiloidose, pós-cirurgia cardíaca, valvopatias, BAVT congênito e outras miocardiopatias.

Já o BAVT transitório, como nesse caso, na maioria das vezes ocorre durante isquemia aguda, por distúrbio eletrolítico, após cirurgia cardíaca, ou por efeito de drogas anti-arrítmicas como digital, betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, amiodarona ou associação entre elas. E pelo fato de ser reversível, o prognóstico é melhor para esses pacientes.

Abraço a todos!